Conheça os 5 mais recentes lançamentos da Editora da Unicamp
Cinco novos títulos chegam pela Editora da Unicamp neste mês de novembro. Todos os livros abrangem diferentes áreas do conhecimento e são de interesse dos mais variados perfis de leitores.
Primeiro, temos “Os espaços de comunicação: Introdução à semiopragmática”, de Roger Odin. A obra é essencialmente dedicada a construir uma nova noção, a noção de espaço de comunicação, e a mostrar como ela pode ser utilizada para evitar os problemas colocados pela noção de contexto: estudo das restrições que pesam sobre os espaços da emissão e da recepção, definição de uma competência comunicacional considerada como um reservatório de modos de produção de sentido e de afetos, construção de atores e de operadores da comunicação, evidenciação dos efeitos produzidos. O livro oferece inúmeros exemplos de análises incidindo sobre produções de textos, de filmes e de documentos audiovisuais ou visuais em contextos extremamente diversos.
Outra obra lançada é “Amazon: trabalhadores e robôs”, de Alessandro Delfanti, traduzida por Bhuvi Libanio. Parte da série “Discutindo o Brasil e o mundo”, o livro é baseado em entrevistas conduzidas pelo autor entre 2017 e 2021 com pessoas que trabalham ou já trabalharam no armazém da loja virtual Amazon em diferentes níveis (desde associado temporário até gerente) e em cargos relacionados à maioria dos principais processos e departamentos. Está do lado de trabalhadoras e trabalhadores que lutam contra a empresa, seja porque querem melhorar as condições de trabalho no armazém, seja porque querem ver o fim da Amazon, pelo menos da forma como é no presente.
De Paul Christopher Johnson e com tradução de Bhuvi Libanio, “Religião automática: Agentes quase humanos no Brasil e na França” revela uma questão diferente a cada capítulo e cada um segue o desdobramento de um argumento em vez de uma cronologia estrita. Assim, a obra: demonstra como ideias sobre automatismo e agência ficam agrupadas em intersecção – neste caso, psiquiatria, religião e vida anima; examina a capacidade que a quase humanidade tem de percorrer espaço e tempo em determinadas formas semióticas, como fotografias que parecem carregar em si vida própria; reflete sobre o fato de a fascinação e a atração evocarem temperamentos diferentes por meio da interação entre espaços específicos de produção e grupos de usuários; entre outros temas.
Já “João Cabral de Melo Neto em vinte quadros”, de Éverton Barbosa Correia, apresenta o poeta pernambucano ao longo das suas obras autorais publicadas em vida sob o aparato da crítica textual, na medida em que faz o cotejo entre as edições do autor, sem restringir aí o exercício de leitura: o dado sempre será contingenciado por meio de informações editoriais, biográficas ou históricas, a pretexto de valorizar uma obra constantemente em transformação. Tal visada implica a observação de uma composição de cada volume à guisa de ilustração do todo constitutivo do livro, que ora se apresenta como uma obra em processo, ora como um momento marcante da trajetória autoral. Para tanto, a abordagem em curso sempre se volta para a apreciação de um poema mediante a coleção que o enfeixa, cobrindo um arco temporal de 50 anos – da década de 1940 até a de 1990. Com isso, este exercício de leitura oferece a obra poética em perspectiva, tanto a iniciantes quanto a especializados.
Por fim, “A melodia de Jobim”, de Carlos Almada, dá seguimento ao livro “A harmonia de Jobim”, publicado em 2022. Ambos resultam de pesquisa voltada para um exame original e detalhado de aspectos diversos da estrutura da obra de Antonio Carlos Jobim. O livro descreve em sua primeira parte os modelos teóricos elaborados ao longo da pesquisa, destinados à análise sistemática das estruturas de alturas e rítmicas de um corpus de composições jobinianas, incluindo várias peças não publicadas. A segunda parte é voltada especialmente a abordagens analíticas focalizando aspectos específicos da organização melódica, a saber, configurações de contornos, apoios em tensões harmônicas, linhas cromáticas, configurações formais e temáticas, derivação motívica e relações entre melodia e texto.