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Editora UFRJ lança que questiona “pacificação” das favelas cariocas

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"Entre o 'fogo cruzado' e o 'campo minado': a 'pacificação' das favelas cariocas", da socióloga Palloma Menezes, é a mais nova publicação da Editora UFRJ. Escrito com base em um trabalho de campo de quase quatro anos nas primeiras favelas pacificadas da capital fluminense, Santa Marta e Cidade de Deus, o livro tem como objeto de estudo as investigações daqueles que viveram a UPP como problema.

Segundo Palloma, o início da “ocupação permanente” daquelas favelas foi experimentado como um evento que produziu uma ruptura com as formas habituais de habitar a favela, quebrando as expectativas que os moradores tinham acerca de sua maneira de ser, de se comportar e de agir na sua comunidade. Ou “como uma desrotinização momentânea da vida cotidiana“.

O objetivo central do trabalho, de acordo com a autora, é analisar como, diante da zona de indeterminação que se impunha com a chegada da UPP, os moradores das favelas ocupadas se questionaram e buscaram elementos para entender o que estava acontecendo. Em sentido mais amplo, o livro tem como hipótese fundamental o fato de que a UPP, desde sua chegada, foi um objeto constante de investigação dos atores por ela direta ou indiretamente afetados.

Como conclusão, a obra sustenta que um dos principais impactos da implementação das UPPs foi uma mudança na rotina, na sociabilidade e na mobilidade de seus moradores. Um desses impactos foi a sensação de monitoramento permanente, que resultou, sobretudo, no surgimento do que é chamado de regime de campo minado.

Palloma Menezes é professora e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Sociologia do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj). É doutora em sociologia pelo Iesp-Uerj e pelo Department of Social and Cultural Anthropology da Vrije Universiteit Amsterdam, além de ter feito pós-doutorado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV). É coordenadora do BONDE – coletivo de pesquisa sobre violências, sociabilidades e mobilidades urbanas, do Iesp-Uerj e coordenadora de produção de verbetes do Dicionário de Favelas Marielle Franco, da Fundação Oswaldo Cruz.

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