Habermas explora naturalismo …

Habermas explora naturalismo e religião em novo livro da Editora Unesp

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A oposição entre naturalismo e religião tem sido um tema central nas discussões filosóficas e sociais. Em “Entre naturalismo e religião”, lançamento pela Editora Unesp, o filósofo alemão Jürgen Habermas oferece uma análise profunda das implicações epistemológicas e políticas desse confronto, examinando modernidade, pluralismo e as exigências das sociedades pós-seculares. A tradução é de Antonio Segatto e Rúrion Melo.

No primeiro eixo, Habermas explora as condições pós-metafísicas de uma razão destranscendentalizada, discutindo como a filosofia contemporânea deve abordar a normatividade intrínseca às formas de vida socioculturais. Ele conecta o desenvolvimento histórico-natural da humanidade com as demandas práticas da razão, destacando a importância da comunicação na formação do conhecimento, por meio da relação entre linguagem, objetividade e intersubjetividade.

O segundo eixo examina os desafios que as teorias normativas do Estado de direito enfrentam diante do pluralismo religioso e ideológico. Habermas analisa como manter a solidariedade cívica em sociedades contemporâneas, preservando os valores constitutivos de suas visões de mundo. Ele enfatiza a necessidade de uma esfera pública onde crentes e não crentes interajam de forma igualitária, contribuindo para a formação democrática da vontade coletiva.

No terceiro eixo, o foco está no pensamento pós-metafísico em relação ao naturalismo e à religião, abordando as dicotomias entre liberdade e determinismo, fé e saber, razão e natureza. Habermas defende que a filosofia pode mediar um diálogo produtivo entre religião e racionalidade, especialmente em sociedades pós-seculares, e critica o naturalismo forte por suas visões reducionistas, sugerindo que ele deve ser repensado.

O quarto eixo conecta o controle estatal do pluralismo à ambiguidade da tolerância religiosa, refletindo sobre as condições para uma convivência pacífica em uma sociedade globalizada. Habermas argumenta que a secularização parcial pode ser reformulada por uma teoria que respeite tanto os limites filosóficos quanto as exigências políticas contemporâneas.

Habermas observa que a oposição entre naturalismo e religião esconde uma "cumplicidade secreta", em que ambas as partes, sem autorreflexão, podem ameaçar a coesão política por conta da polarização. Ele ressalta que a cidadania liberal exige uma reflexão sobre os limites tanto da fé quanto do saber, essencial para manter o common sense, mesmo nas democracias mais antigas.

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