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Autor da Eduff analisa o impacto do anticomunismo na democracia brasileira

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O discurso anticomunista foi justificativa para a implantação das duas ditaduras mais duradouras do Brasil, em 1937 e 1964, e seus reflexos podem ser observados ainda hoje. Em “Em guarda contra o perigo vermelho”, obra da Eduff publicada pela primeira vez em 2002, o historiador Rodrigo Patto Sá Motta traz um estudo detalhado sobre os valores, crenças, medos e ações de grupos brasileiros que ao longo do século XX lutaram contra o chamado “perigo vermelho”, e de que forma esses movimentos políticos contribuíram para construção da máquina policial-repressiva do Estado brasileiro. Agora, a editora lança uma nova edição, cujo o posfácio faz uma análise do contexto da recente mobilização da direita radical, que oferece subsídios para compreender os elementos que integram os dilemas atuais do Brasil.

Embora o anticomunismo exista desde o fim do século XIX, o fenômeno ganhou mais força após a Revolução Russa de 1917, e, no Brasil, as manifestações desse tipo cresceram especialmente na década de 1930, depois da “Intentona Comunista” de 1935, que inaugurou uma tradição que pode ser observada até hoje. Usado como motivação para os dois golpes de Estado no Brasil, o anticomunismo ainda é argumento de movimentos e grupos de direita e extrema-direita contra projetos da esquerda brasileira, e tem repercussão direta na história recente do país. “O impeachment de 2016 e o resultado das eleições de 2018 foram impactados por uma pauta anticomunista, mais precisamente antipetista, e a direita autoritária se fortaleceu muito, impulsionada pela ojeriza que muitas pessoas desenvolveram a tudo que represente a esquerda", explica o autor.

A obra é uma contribuição original, ao mostrar a profundidade do fenômeno e apontar sua relevância para a história política do Brasil. “No que toca ao conhecimento sobre 1964, por exemplo, prevalecia a visão de que o anticomunismo não passou de engodo para justificar a intervenção e que os temas principais da retórica golpista teriam sido o antipopulismo e o antirreformismo. O livro ajudou a mostrar que o fenômeno é complexo e constituiu o cerne de tradições políticas arraigadas, tendo se tornado elemento fundamental nas mobilizações direitistas – invariavelmente autoritárias – e, também, na montagem de longeva máquina repressiva de natureza judicial, policial e militar (DOPS, leis repressivas, tribunais de exceção)”, afirma Sá Motta.

O livro está disponível para compra no site da Eduff.

 

 

 

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