Lançamentos da Editora Unifesp já estão disponíveis na sua livraria virtual
A Editora Unifesp lançou, recentemente, seis obras de diferentes áreas do conhecimento. Confira o resumo dos últimos lançamentos da editora:
Desenvolvimento Desigual e Combinado: modernidade, modernismo e revolução permanente, de Neil Davidson
Os trabalhadores de Manchester que marcharam para Saint Peter’s Field em 1819 e os trabalhadores de Glasgow que entraram em greve no ano seguinte pelo direito ao voto não tinham o socialismo por objetivo, nem o marxismo por teoria. É uma grande e desoladora ironia histórica que, depois da devastação material e ideológica realizada pelo stalinismo, o mesmo seja verdade para a maioria dos trabalhadores hoje, e não só na China. Não existem, pois, analogias inteiramente adequadas para descrever nossa atual situação, e não deveríamos, então, esperar encontrar modelos estratégicos ou organizacionais prontos para uso imediato. O que podemos prever de nossa experiência até agora é que o desenvolvimento desigual e combinado continuará a exercer o papel de vomitar conjunturas revolucionárias, cujos desdobramentos, como sempre, não podem ser previstos de antemão.
As doenças da personalidade, Théodule Ribot, com tradução de Wilson Antonio Frezzatti Jr.
Não sabemos com certeza quais os textos de Ribot que foram lidos por Nietzsche. Embora consideremos ser impossível refazer toda a trama de influências sobre o pensamento nietzschiano, podemos encontrar na obra do filósofo alemão várias semelhanças teóricas com os textos de Ribot: a continuidade entre o físico e o espiritual; a consciência como produto do desenvolvimento orgânico; o projeto de uma nova psicologia; a decadência cultural causada por doenças fisiológicas; entre outras. Não se trata, entretanto, de mostrar uma influência, mas de compreender que, de alguma forma, Nietzsche estava inserido em um projeto de transformação dos modos de conhecimento e de entender o mundo, o homem e a cultura, especialmente no contexto francês da psicofisiologia. As Doenças da Personalidade, publicado em 1885, é o último livro da trilogia sobre doenças psicológicas, que já havia investigado as desordens da memória e da vontade. Ribot aborda os vários tipos de doenças da personalidade para esclarecer como a evolução construiu algo tão complexo como a personalidade e a individualidade humanas. Em todos os casos, inclusive o normal, os estados psicológicos remetem a estados físicos. O texto pretende mostrar que o eu não é uma entidade unitária e imutável, causa das ações humanas, mas uma multiplicidade dinâmica de ações nervosas e, portanto, resultante de processos orgânicos.
O Estranho e o Estrangeiro – Ensaios Sobre a Contemporaneidade, de Glória Matos e Javier Amadeo (org.)
A presente coletânea de ensaios é resultado de dois ciclos de conferências, realizados nos anos de 2016 e 2017 como parte das atividades acadêmicas realizadas pela Cátedra Edward Saïd. O primeiro ciclo, intitulado "O Estranho e o Estrangeiro", e que dá nome ao presente livro, contou com a participação dos conferencistas Olgária Matos, Mamede Jarouche, Gabriel Cohn, Élide Rugai Bastos, Jamil Ibrahim Iskandar, Jorge Coli e Ismail Xavier. No ano de 2017, participaram do ciclo "O Oriente: Identidades e Idealizações" os palestrantes Maurício Marsola, Andrea Piccini, Geraldo Adriano Campos, Massimo Canevacci, Eduardo Kickhofel, Giacomo Marramao, e a reitora Soraya Soubhi Smaili
Direitos Humanos e Usos da História, Samuel Moyn
Uma intensa jornada de leitura. Moyn nos lembra que a ideia de direitos humanos não começou com a Segunda Guerra Mundial nem é uma invenção americana; que os direitos individuais e a dignidade humana não são a mesma coisa; que a tortura é um tabu relativamente recente; que a intervenção humanitária (o uso da força militar para 'civilizar') oferece certos perigos; e que as recentes ideias de justiça criminal e tribunais internacionais não oferecerão uma salvação fácil. A disposição de Moyn é crítica, mas ele reconhece o que chama de 'resplendor global' dos direitos humanos em nossos tempos. Houve fracassos, mas também sucessos, por isso ele busca uma 'reinvenção' em vez de uma substituição. Para que os direitos humanos façam uma diferença prática, sejam mais do que um 'ornamento em um trágico mundo que eles não transformam', eles devem, segundo Moyn, ser capazes de mobilizar as pessoas, de ser menos centrados nos juízes e mais atentos às reais necessidades econômicas e sociais. Em um momento de crescente desigualdade, dentro e além das fronteiras, o último ponto certamente ressoará, junto com a mensagem subjacente mais ampla: que as ideias que sustentam os direitos humanos modernos se tornaram uma parte fundamental de nossa cultura política, e que ignoramos a história por nossa conta e risco.
Sobre Intertextualidade na Literatura Latina – Textos fundamentais, de Patrícia Prata e Paulo Sérgio de Vasconcellos (Org.)
Todo discurso, oral ou escrito, implica uma relação de diálogo com outros discursos: a linguagem humana tem esse aspecto dialógico como fundamento. O tema pode ser explorado de muitas maneiras, uma delas é a análise do que ocorre em textos escritos literários. No século XX, os estudos clássicos deram uma contribuição substancial à compreensão desse fenômeno da “intertextualidade”, do diálogo entre textos, iluminando aspectos que vão muito além do campo da literatura. Os estudos de poesia latina, sobretudo, estiveram no centro dessa discussão. Esta antologia reúne alguns dos textos fundamentais sobre a intertextualidade na literatura latina. Uma equipe de professores e pós-graduandos de várias universidades do país uniu esforços para apresentar aos leitores esses textos (originalmente escritos em italiano ou inglês) aos leitores brasileiros. Desses ensaios podem se beneficiar não apenas os classicistas, mas também todos os que se interessam por literatura e pelo fenômeno da intertextualidade em seus vários aspectos
Nietzsche à luz dos antigos, João Evangelista Tude de Melo Neto
Por meio da transvaloração dos valores, Nietzsche visou promover uma total reviravolta valorativa no Ocidente. Para levar esse projeto a cabo, ele considerou que seria mister atacar a escatologia, a transcendência e o dualismo que caracterizam a cosmovisão platônico-cristã, uma vez que essas noções seriam utilizadas para legitimar os valores que vigoram na civilização ocidental. Ao enxergar essa relação entre valores e cosmovisão, Nietzsche se empenhou em elaborar uma cosmologia caracterizada como um cristianismo e um platonismo invertidos. Em outros termos, para inverter a forma de valorar do Ocidente, também se faria necessário colocar de cabeça para baixo a cosmovisão que o norteia. Capaz de levar o homem ocidental a repensar a totalidade cósmica como pura imanência e a deslocar a noção de eternidade do “Céu” para a “Terra”, essa “nova” cosmologia viria a minar os alicerces da moral vigente e, simultaneamente, preparar as bases para a criação de novos valores. Ao longo deste livro, iremos examinar a referida cosmologia e como o filósofo do Zaratustra a ela chegou partindo do pensamento de Heráclito e da física estoica.
Obras estão disponíveis para compra no site da editora.